Deepfakes atacam novamente
Uma imagem vale mais do que mil palavras, mesmo quando ela é falsa. Talvez esse seja o lema de nossa era. Infelizmente, a maioria da população ainda não tem alfabetização tecnológica suficiente para se proteger das manipulações que invadem a internet. Enquanto eu lia sobre a recente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, não pude deixar de sentir uma sensação de déjà vu. Isso me lembrou de como imagens e vídeos gerados por IA foram usados no passado para manipular a opinião pública. Quem não se lembra de enxurrada de deepfakes usada nas últimas eleições brasileiras e de outros países? Desta vez, não são apenas os políticos que estão espalhando desinformação, mas também pessoas comuns. E, para piorar a situação, os avanços rápidos na tecnologia de IA estão tornando cada vez mais difícil identificar imagens e vídeos fakes.
Após a revelação sobre a captura de Maduro por forças americanas, imagens e vídeos falsos começaram a circular em plataformas de redes sociais como TikTok, Instagram e X. A intenção desses deepfakes é óbvia: faturar uma graninha e manipular a percepção dos fatos para obter ganhos políticos.
Festas de comemoração falsas
Você viu vídeos de venezuelanos celebrando ao redor do mundo a captura de Maduro? Pois eles não são verdadeiros. Eles foram usados para criar uma narrativa falsa. Apesar de serem falsos, os vídeos e imagens foram rapidamente compartilhados por muitas pessoas, incluindo figuras públicas como Elon Musk e Flávio Bolsonaro.
Imagem de desembarque de Maduro
Uma foto de Maduro desembarcando de uma aeronave e escoltado por soldados americanos foi compartilhada pela conta oficial do partido de extrema-direita Chega em Portugal. Ela também foi apresentada por vários veículos de mídia online como uma foto real.
Mas, conforme a imagem se espalhava rapidamente online, verificadores notaram que, quando a foto foi passada pela ferramenta de verificação SynthID do Gemini, ela continha marcas d’água digitais indicando que ela havia sido gerada ou editada por IA.
Mausoléu de Hugo Chávez bombardeado
Um vídeo falso com as forças dos EUA atacando o mausoléu do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez também se tornou viral rapidamente. Imagens falsas mostrando o túmulo do ex-presidente semi-destruído em um ataque a bomba no sábado, com chamas e nuvens de fumaça saindo dele, foram amplamente compartilhadas. Mas era tudo falso. A Fundação Hugo Chávez postou seus próprios vídeos na segunda-feira para mostrar às pessoas que o túmulo estava intacto.
Mentiras, incerteza e desconfiança
As consequências da explosão de deepfakes são de grande alcance. O avanço na qualidade de imagens e vídeos falsos dificulta cada vez mais a identificação do que é real. A explosão de deepfakes cria uma forte sensação de incerteza e desconfiança em nossa capacidade de verificar informações.
Mas o que podemos fazer a respeito? Primeiramente, precisamos nos educar e educar os outros sobre os perigos dos deepfakes e como identificá-los, quando isso é possível. Também precisamos nos basear em fontes confiáveis de informação para nos ajudar a verificar a autenticidade dos conteúdos online. Ligue o desconfiômetro: se você viu cinco fotos de Maduro com roupas diferentes sendo levado pelos americanos, é provável que algumas imagens sejam falsas. Desconfie também de imagens e vídeos compartilhados por notórios espalhadores de deepfakes.